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Mustang Bi-Turbo Nacional 1000hp

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 MUSTANG DO MALANGA
Reportagem do Jornal Primeira Mão por Arnaldo Keller


— E aí, Arnaldo! Vai querer andar no Mustang ou não vai? – me telefona o Malanga.

— Demorou! Ficou de você me avisar quando teria tempo. Estou esperando – respondi – Quantos cavalos você botou nele?

veneno215c.gif (15832 bytes)

— Cara, aqui é diferente. Você pede e eu coloco a cavalagem na hora, o quanto você quiser. De 600 a 1.500 cavalos. Posso acertar com o carro andando, rapidinho. Pressão do turbo, mistura, avanço... tudo pelo laptop e por um botãozinho no volante – ele vai contando.


— Pérai! Depois você me explica senão, complica. Quando você pode? Amanhã tá bom? – pergunto.

— Tá bom! Amanhã à tarde você passa na oficina. – o Malanga confirma.

No dia seguinte, depois do almoço, saindo de casa, é que me dou conta da encrenca. Vou pedir uns 700 cavalos, o que já é de arrebentar. Não vamos ter espaço pra mais. Já guiei uns Mustang desses meio novos, do ano do carro do Malanga, que é de 1994, e sei que se não receber trabalho na suspensão e bons pneus ele não para no chão. Com o sistema original ele mal agüenta 300 cv. Daí pra cima é samba, mesmo na reta. Em contrapartida, conheço o Ricardo Malanga. Esse manja e sei que seus carros têm chão.

veneno215a.gif (17583 bytes)É piloto de corridas, e preparador, há décadas. É dono da tradicional oficina Brabo Motorsport (
http://www.brabo.com.br/ ), e lá sempre tem carro da pesada, principalmente V8. Graças a técnicos como ele esses Mustang têm valorizado, pois com poucos toques esses Mustang sobem para 400 cv ou mais. Além deste Mustang preto encapetado, ele tem dele mesmo um De Tomaso Pantera com 1.000 cavalos... mil! Um Puma VW com motor 2300 cm3 e sei lá mais o quê. E esses são os pra andar na rua... Adoro ir à Brabo. Lá tem carros de corrida – Lotus, Alfa, Aldee Spyder –, carros mexidos, e o Malanga me paga cafezinho na esquina, me xinga e me bota pra fora quando estou enchendo o saco dele e ele tem que trabalhar.

veneno215b.gif (18948 bytes)O Malanga saiu guiando, pra me explicar como é que o bicho anda. A lenta estava embaralhando um pouco. Comando bravo. Ele pára, abre o laptop, e diz que vai enriquecer a mistura (ar/álcool), molhar mais, pra melhorar, pois antes andou brincando de deixá-la pobre para ver o quanto dava pra economizar. Na tela abrem gráficos e tabelas e luzinhas e flexinhas que eu não entendo patavinas e em segundos a marcha lenta sobe um pouco e alisa. Não fica estilo Galaxie, mas fica razoavelmente confortável para andarmos no trânsito. Mesmo assim o comando é muito bravo. Ele diz que um dia vai resolver abrir o motor e pôr um comando mais manso. Mas o motor está tão bem feitinho que dá dó abrir. O bloco é da Ford Racing, uma divisão de competições da Ford SVO, Special Vehicle Operations, americana. Tem 392 polegadas cúbicas, ou seja, 6.423 cm3. Comando, balancins roletados, pistões, bielas, cabeçotes, tudo especial, da Ford Racing. Taxa de compressão 8,5:1.

Não bastando essa cilindrada toda, temos dois turbos ballbearing da Innovative, e esses turbos são especiais, especialíssimos. Seus rolamentos são de cerâmica, o que lhe dá uma eficiência impressionante. Por exemplo, após desligarmos o carro os turbos seguem virando por uns 20 ou 30 segundos, isso porque os rolamentos de cerâmica são tão bons, geram tão pouco atrito, que ficam lá girando e girando. O reflexo disso é que há pouquíssima inércia para que subam de giro, e assim logo estão atuando, atingindo rotação suficiente para empurrar um montão de ar para o motor. Daí que não há turbo-lag, basta pisarmos um téco no acelerador que acima dos 2.500 giros o turbo já está atuando e a cavalaria vem com tudo. Mas essa cavalaria não vem de forma estúpida – intratável, como quando usamos um blower –, ela é gradual – tremendamente forte, mas, gradual a ponto de, sendo rápidos e seguros, termos tempo para dominar a máquina.

O carro é blindado. Foi blindado há anos, por isso usa um sistema mais antigo e bem pesado. Fora os 1600 quilos do carro tínhamos mais uns 300 quilos de blindagem. O Malanga não contou nada disso pro carro. Segundo ele, se o Mustang souber que está mais pesado pode ficar preguiçoso. Carro durinho, mas não trinca-espinha. Suspensão trabalhada. Amortecedores coil-over (molas ao redor do amortecedor) da QA1 reguláveis em 12 posições. Pneus Yokohama 255-35 ZR18 na frente e 295-35ZR18 atrás. Estávamos com pouca pressão no turbo, só 0,6 kg/cm2, e isso nos dava uns 700 cv. Câmbio Tremec. O mesmo usado pelo Aston Martin. Seis marchas. A primeira até que é curta pra tanto torque em baixa. Numa avenida deserta o amigo acelerou pra valer. A primeira marcha desapareceu num tapa. A segunda é de escurecer a vista porque acho que o sangue vai pro fundo da nossa cabeça e os olhos murcham. Na terceira você exclama “Ave Maria!” com o pouco ar que lhe restou nos pulmões. Dali pra frente não sei o que acontece porque faltou pista e os freios Willwood entraram em ação graças a Deus. Sou medrosão (pra não dizer ca..~.) com os outros guiando. Mas o Malanga pilota pacas e não gritei apavorado nem nada, só fiquei estático, meio chocado com o que estava se passando, tamanha violência. Ele falou que no meio da segunda marcha ele apertou o overbooster (botãozinho laranja que fica no volante, à esquerda) e aumentou um pouco a pressão do turbo. Tem quatro posições. Da primeira posição foi pra segunda.
Aumentar mais, antes de meter 3a ou 4a marcha não ia adiantar porque os pneus não tracionariam, e iriam patinar.

Paramos, tiramos fotos numa tranqüila e bucólica praça, e aí foi minha vez de guiar. Saí meio maneiro. Atropelei dois cachorros, mandei um skatista pra cima duma árvore, com o espelhinho arranquei a bengala de uma velhinha, levantei uma lapa do asfalto que caiu na calçada e com o fogo dos escapes incendiei os eucaliptos. Quando saí de lá deu pra ver o cogumelo de fumaça que sobrou da praça. Ela vai ser rebatizada de “Day After Mustang”.

— Ô Malanga! Legal esse carro, hein! – comentei.

— Acho que eles vão mandar o Exército atrás da gente. – ele prevê.

— Sossega. Pra nos pegar só se for a Aeronáutica. – tranqüilizo.

O Mustang é relativamente fácil de guiar. Andando maneiro só a lenta é que é um pouco chatinha, embaralhando. Mas basta beirar os dois mil giros que o motor alisa e mostra seu bom balanceamento.
Dando potência o carro cisca com a traseira e cresce de forma monstruosa. Ele cisca até o fim da 3a marcha. Mas o faz de modo controlável, estável, e com pouca correção o mantemos na reta. Daí pra frente, não sei, porque não fui. Traciona espetacularmente mais que um Mustang original, não só devido aos pneus mais largos como devido à suspensão trabalhada. O carro pouco empina na largada ou mergulha na freada. O carro é absurdamente forte mas muito bem acertado de chão, portanto, é previsível.

Apesar de reações rápidas, ele avisa com antecedência o que vai fazer. Não é traiçoeiro, é franco. E é assim que eu gosto, tanto de carro, quanto de gente.

Obrigado Malanga. Vamos ver se a gente leva esse canhão pra uma reta das boas onde possamos apertar esse botãozinho laranja do volante até ele avermelhar...

Brabo Motorsport. R. Artur de Azevedo 1459, Pinheiros. Tel. 11-3063.3326

Por: Arnaldo Keller
Jornal Primeira Mão


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